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Solo: correto manejo gera serviços hidrológicos às bacias e evita enchentes


Foto: Arte - Antonio Mendes

Correto manejo correto do solo é tem função vital no suprimento às bacias, evitando ainda erosões e enchentes.


04-05-2020

No domingo, dia 3 de maio, foi lembrado o dia do solo. Dentre os inúmeros serviços à natureza, destacamos os hidrológicos. Além da segurança alimentar e a fertilidade para o cultivo diverso, o manejo correto do solo é fundamental para a gestão da água, tendo função vital no suprimento às bacias, evitando ainda erosões e enchentes.

Segundo a engenheira florestal Gabriela Teixeira, especialista em recursos hídricos da AGEVAP, delegatária do Comitê Guandu-RJ, o solo está diretamente ligado à produção de água em uma bacia hidrográfica, constituindo-se em um fator determinante na manutenção do equilíbrio hidrológico do sistema. Quem explica esse processo e como ele é potencializado ou restabelecido através da recuperação de um ecossistema é o pesquisador em restauração de áreas degradadas da EMBRAPA, o doutor em agronomia Luiz Fernando Duarte Moraes, membro do Comitê Guandu-RJ com atuação no Grupo de Trabalho de Infraestrutura Verde: "entre os resultados de um esforço bem sucedido na recomposição de um ecossistema florestal estão, por exemplo, uma melhor cobertura e proteção do solo contra processos erosivos, o aumento dos teores de matéria orgânica do solo e a melhora de sua estrutura. Em um solo com melhor estrutura temos a redução da perda de água das chuvas por escorrimento superficial; a água vai penetrar no solo mais facilmente, abastecendo os lençóis freáticos e tornando o regime hidrológico mais estável, reduzindo a probabilidade de enchentes quando chover muito, e a escassez de água em estiagens mais prolongadas. A qualidade da água também tende a ser maior em áreas restauradas", explicou o pesquisador.

Em relação aos custos dessa restauração, são muitas as variáveis, que pedem investimentos, esforços de diferentes setores e políticas públicas. Esses investimentos são objetos de estudos e pesquisas mundo afora, que avaliam impactos e principalmente o retorno ambiental e social. A ONG The Natury Conservancy (TNC) publicou em 2017 o estudo "ECONOMIA DA RESTAURAÇÃO FLORESTAL". A obra traz um estudo e estimativas de investimentos em restauração de ecossistemas, estabelecendo metodologia que considera diversas variáveis ambientais, políticas e sociais. Segundo o documento, a redução dos gases de efeito estufa associados às mudanças climáticas globais e aos riscos de graves impactos ao bem-estar tem como fator estratégico a restauração das florestas, com a recomposição do equilíbrio ecológico e do provimento de serviços ambientais vitais, como a água. Daí, segundo o estudo, a importância de se entender a exatidão financeira da atividade para a real mensuração de ganhos para o desenvolvimento sustentável. Já outro estudo, publicado em 2018 pelo WRI-Brasil, aponta que o estado do Rio de Janeiro pode economizar R$ 156 milhões em 30 anos no tratamento de água, se investir em infraestrutura verde, realizando a restauração de três mil hectares de áreas com alto potencial de erosão. "São muitas variáveis que afetam os custos da restauração. A própria cadeia da restauração (disponibilidade de mudas, assistência técnica habilitada) ainda precisa ser incrementada. De qualquer forma, há que se avaliar, na verdade, as relações custo-benefício. E aí entram algumas externalidades que mitigam os altos custos da restauração florestal, como a agregação de valor aos produtos de uma propriedade que está de acordo com a legislação ambiental, o pagamento por serviços ambientais e mesmo a redução de perdas (de solo, nutrientes) com uma melhor conservação do solo. Esse debate tem estimulado o desenvolvimento de um campo chamado de Economia da Restauração", explicou Luiz Fernando que é um dos fundadores da REBRE (Rede Brasileira de Restauração Ecológica).

Dentro de todos esses conceitos, o Comitê Guandu-RJ desenvolve há 11 anos o programa Produtores de Água e Florestas (PAF). O programa alia recuperação, conservação ambiental, orientação e incentivo às boas práticas de manejo e cultivo e a retribuição financeira, através do pagamento de serviços ambientais. Só no município de Rio Claro/RJ, no sul Fluminense, foram conservados e recuperados cerca de 5 mil hectares de Mata Atlântica, que ajudam no ciclo e no equilíbrio para os devidos serviços hidrológicos às sub-bacias que fornecem água à bacia do Guandu, responsável pelo abastecimento de quase 10 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Se já não bastasse os ganhos ambientais, o projeto gera benefícios sociais ao município. Só em Rio Claro/RJ, os produtores que fazem parte do programa recebem cerca de 365 mil reais por ano pelos serviços ambientais prestados, gerando renda à população local. Hoje, o PAF é desenvolvido também em Vassouras, Mendes e Engenheiro Paulo de Frontin, em sub-bacias contribuintes ao Guandu.

A natureza é complexa e sua engrenagem funciona atravéz do equilíbrio. Pensar e investir em manejo e correto cultivo do solo, ações em restauração, conservação, prevenção à queimadas e outras tantas, são garantia de retorno através desse equilíbrio que gera disponibilidade de água em melhor qualidade, menos enchentes, provisão de alimentos, saúde e bem estar. São inúmeros os estudos e pesquisas que demonstram o quão importante é olhar e trabalhar essas variáveis. Esses investimentos também são responsáveis por agregar valor ao cultivo, tornando-o sustentável, por olhares diversos.

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