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Especialistas Franceses visitam o programa Produtores de Água e Floresta (PAF)


Foto: Antonio Mendes

Especialistas franceses, diretores do Comitê Guandu-RJ e da AGEVAP foram recebidos pelo prefeito José Osmar


11-11-2019

Especialistas da Agência de bacias Loire-Bretagne, da França, e do Escritório Internacional da Água, visitaram a sede do programa Produtores de Água e Floresta (PAF), do Comitê Guandu-RJ, em Rio Claro/RJ na última sexta-feira (08). O objetivo foi conhecer o programa que já resultou na restauração e conservação de mais de 4 mil hectares de Mata Atlântica, oferecendo serviços hidrológicos à bacia que abastece quase dez milhões de pessoas no estado. Diretores do Comitê e especialistas da AGEVAP acompanharam o grupo que também visitou produtores participantes do programa.

O grupo foi formado pela Presidente do Conselho de Administração da Agência Loire-Bretagne e ex-deputada francesa e europeia Marie Hélène Aubert; o Diretor Adjunto, Claude Gitton; o Responsável pelas Relações Internacionais, Hervé Gilliard; a Diretora da Cooperação Internacional do Escritório Internacional da Água, Stéphanie Laronde; o Chefe de Projetos para a América Latina, Nicolas Bourlon; o Chefe das atividades nas regiões África, América Latina e Ásia do Sudeste, Alain Bernard; e o Coordenador do projeto, Patrick Laigneau. Eles ainda foram acompanhados pela presidente do Comitê de Bacia do Rio Pardo/RS, Valéria Borges Vaz.

Os especialistas foram recebidos no Paço Dr Cid Magalhães da Silva, sede do governo municipal, pelo prefeito José Osmar, que falou sobre os frutos colhidos no município através da união que mantém o programa. “O PAF vai ao encontro do potencial do município, que é o meio ambiente. A prefeitura se esforça para que iniciativas como esta e outras que gerem conservação e investimentos à população, sejam sempre implementadas”, afirmou o chefe do executivo municipal. No gabinete do prefeito, os especialistas puderam conhecer a estrutura e alguns dados sobre o programa, que foram apresentados por Iran Bittencurt, braço do PAF na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Rio Claro; Hendrik Mansur, representante da ONG TNC no Comitê Guandu-RJ e; Juliana Fernandes, Diretora da AGEVAP. Só em Rio Claro/RJ, são 64 produtores no projeto que recebem todo aporte técnico e capacitação do programa para que possam promover a restauração e a conservação ambiental. Pelos serviços ambientais prestados, os produtores recebem ao todo cerca de 358 mil reais por ano, gerando renda a população local. “O programa é amplo e todos ganham: o meio ambiente por ter seus recursos preservados; os rios pelos serviços hidrológicos prestados pela vegetação; os quase 10 milhões de moradores da região metropolitana do Rio que são abastecidos por essas águas, contribuintes a bacia do Guandu; e os produtores que recebem retribuição financeira do projeto. Além disso, são várias aplicações práticas proporcionadas PAF em experiências científicas em relação à água, a flora e a fauna”, afirmou o Engenheiro Agrônomo Hendrik Mansur (TNC), membro do Comitê Guandu-RJ.

         Uma das propriedades visitadas pelos especialistas franceses foi a Comunidade Quilombola Alto da Serra, em Lídice, distrito de Rio Claro, onde vivem 48 famílias. Trata-se de uma das 38 comunidades quilombolas reconhecidas no estado do Rio de Janeiro pela Fundação Cultural Palmares. Quem recebeu o grupo foi Benedito Bernardo Leite Filho, o Sr Bené. Ele contou que a Comunidade vivia da extração do carvão vegetal, que gerava danos ambientais e hoje, através dos incentivos e apoio técnico do PAF, os produtores aprimoraram suas técnicas de cultivo e trabalham com produção sustentável de hortaliças, queijos, doces e mel. Em retribuição a conservação das áreas delimitadas pelo programa, a Comunidade recebe pouco mais de dez mil reais por ano, que são utilizados para a estruturação de ações e bens que visam o desenvolvimento local. Uma dessas aplicações foi a reforma da Escola Municipalizada Rio das Pedras, que estava desativada, e era a única escola que atendia as cerca de 50 crianças da comunidade. Após a reforma e ampliação, a escola foi reativada e as crianças voltaram a estudar em um local mais próximo às suas casas. “Foi uma vitória para toda a comunidade. Sem uma escola próxima, as crianças precisariam fazer longas viagens diárias até a cidade para estudar, o que provavelmente as desestimulariam. Hoje, as crianças frequentam regularmente a escola, que fica a 2 km da comunidade, e buscam seu desenvolvimento humano e profissional. Dizem que vão se formar e voltar para aplicar seus conhecimentos na comunidade”, afirmou o produtor. Marie Hélène Aubert  fez perguntas e elogiou bastante o projeto. “Estamos felizes em conhecer bem mais que o programa, mas as pessoas e essas belas histórias”, disse a Presidente do Conselho de Administração da Agência Loire-Bretagne.

Após conhecerem a área de mata ciliar restaurada pelo PAF na Comunidade Alto da Serra, os especialistas franceses foram a sede do PAF, na zona urbana de Lídice. Lá, conheceram a equipe de profissionais da empresa Água e Solo, que dão suporte aos produtores, visitando as propriedades. Além do suporte técnico e a aplicação de insumos gratuitos da recuperação de mata ciliares e áreas de preservação permanente, os profissionais usam drones para filmar e mensurar os avanços. “Conseguimos imagens nítidas a cem metros de altura, calculando com mais exatidão cada hectare preservado ou conservado. Além disso, podemos fazer um diagnóstico de quais áreas precisam de atuação do programa”, explicou Pablo Figueiredo, Engenheiro Florestal. Os especialistas franceses puderam analisar as imagens dos drones e ver os avanços ambientais obtidos através do programa. “O pagamento por serviços ambientais tem se mostrado uma boa alternativa para ganhos ambientais em escala, sendo utilizado inclusive, pela iniciativa privada”, destacou Nicolas Bourlon, Chefe de Projetos do Escritório Internacional da Água para a América Latina, que elogiou o PAF e seus resultados ressaltando que a iniciativa deve ser mantida e ampliada.

O PAF é desenvolvido pelo Comitê Guandu-RJ há dez anos em Rio Claro/RJ. O colegiado já destinou mais de 2,5 milhões de reais ao programa que gera ganhos ambientais e sociais. Hoje, ele foi estendido a sub-bacia de Sacra Família, que também é contribuinte da Bacia do Guandu, e corta os municípios de Vassouras, Engenheiro Paulo de Frontin e Mendes. Trinta produtores já foram selecionados nesta nova fase que, como em Rio Claro, objetiva melhorar a quantidade e a qualidade da água que abastece quase dez milhões de pessoas.

A visita dos franceses ao PAF já é um desdobramento do acordo Internacional de Cooperação Técnica, assinado na última quarta-feira (6), entre as agências Loire-Bretagne, AGEVAP e PCJ. O acordo tem a coordenação técnica do Escritório Internacional da Água e visa a troca de experiência, conhecimento e tecnologia entre as agências, com vistas a desenvolver a gestão das águas no Brasil. A França é considerada a percussora da gestão das águas no mundo.

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