Outro aspecto de grande interesse para a gestão de recursos hídricos na bacia diz respeito à qualidade da água no local de captação da ETA Guandu. A CEDAE vem empenhando grande esforço para manter a qualidade de água tratada dentro dos padrões de potabilidade exigidos pela Portaria MS - 518 / 2004 do Ministério da Saúde, tendo em vista o abastecimento de mais de 8 milhões de pessoas da RMRJ.
A poluição oriunda principalmente dos rios Poços/Queimados e Cabuçu/Ipiranga, fato constatado nos monitoramentos realizados pela CEDAE e FEEMA afeta as duas lagoas artificiais situadas a montante da tomada d’água, concentrando e agravando as já comprometidas condições de qualidade da água. Essas bacias drenam uma área total de 224,10 km2, sendo 177,70 km2 correspondente à dos rios Poços/Queimados e 46,40 km2, à dos rios Cabuçu/Ipiranga, totalizando um contingente populacional superior a 250.000 habitantes. Essas bacias são também receptoras dos efluentes industriais provenientes do Pólo Industrial de Queimados.
A poluição junto à tomada d’água da ETA Guandu aumenta os custos de produção da água tratada, traz dificuldades operacionais para a ETA e compromete a qualidade da água distribuída à população, uma vez ser difícil remover, via tratamento convencional, algumas substâncias orgânicas produzidas por cianobactérias. A ETA Guandu gasta por ano cerca de R$ 18 a R$ 20 milhões somente com produtos químicos para o tratamento da água (em média 318 toneladas de produtos químicos por dia). Esta quantidade poderia ser reduzida em cerca de 20 a 25%, não fosse o excesso de poluição encontrada naqueles corpos hídricos. (ASEAC, 2005).
De uma forma geral, verifica-se uma carência de dados tanto fluviométricos quanto pluviométricos nas bacias em estudo. Tendo em vista que a bacia do Rio Guandu é de fundamental importância para o abastecimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, deveriam ser priorizados investimentos para a implantação de uma rede hidrometeorológica adequada de forma a atender as necessidades atuais e futuras, bem como todo o processo de implantação dos instrumentos de gestão.
A bacia do Guandu conta com 16 estações fluviométricas, sendo nove operadas pela DNOS, três operadas pela SERLA, três operadas pela LIGTH e uma operada pela ANA; deste grupo de estações, apenas cinco apresentam mais de quatro anos de informações e somente duas estações — Fazenda dos Mineiros e UHE Pereira Passos Jusante — encontram-se em operação atualmente, na calha principal do Rio Guandu. Entretanto, verifica-se a necessidade de implantação de estações nas bacias dos rios da Guarda e Guandu Mirim, bem como nos principais afluentes do Rio Guandu.
A análise dos dados levantados no âmbito do PERH Guandu revelou uma carência de dados pluviométricos na bacia. Das estações localizadas na bacia ou no seu entorno, apenas sete encontram-se em operação. Esse fato mostra a necessidade urgente de implementação de uma rede hidrometeorológica adequada na bacia, que possa atender às necessidades atuais e futuras, relacionadas ao processo de gestão de recursos hídricos, dimensionamento de obras hidráulicas, dentre outras.
Quanto à qualidade de água, várias instituições monitoram a qualidade da água nas bacias, com destaque para a FEEMA (agência ambiental do Estado do Rio de Janeiro) e para a CEDAE, na altura da tomada d’água da ETA Guandu. Usuários do setor privado também operam ou operaram a sua própria rede (Eletrobolt, Gerdau, Multiservice e Concremat), além da UFRJ. A esse respeito, é importante ressaltar a necessidade de integração entre essas instituições no tocante ao monitoramento da qualidade da água nas bacias. A análise dos dados mostrou diferenças nas nomenclaturas dos parâmetros, nas unidades, nos processos de medição, na freqüência de amostragem, sendo evidente a necessidade de padronização. Por outro lado, recomenda-se que nas amostragens de qualidade da água sejam realizadas medições de vazão para possibilitar no futuro a estimativa mais precisa das cargas poluidoras lançadas na bacia.
Anexo Mapa:
8.1.1.1.1 - Estações Fluviométricas
8.1.1.2.1 - Estações Pluviométricas
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